Por Jayr Santos
Há mulheres que não conseguem parar porque, quando finalmente param, começam a ter contato consigo mesmas. E isso pode gera desconforto, e em alguns casos chega a doer…
Aos 40, 50 ou 60 anos, muitas mulheres chegam a uma fase da vida carregando uma lista invisível de responsabilidades: filhos, casamento, trabalho, pais envelhecendo, casa, finanças, expectativas e, muitas vezes, a necessidade de parecer forte mesmo quando já não sabem de onde tirar forças. Então vem a ansiedade.
O coração acelera. A cabeça não desliga. O sono fica leve. Pequenas coisas parecem enormes. Surge uma preocupação constante com aquilo que ainda nem aconteceu.
Mas, talvez exista uma pergunta mais profunda: o que essa ansiedade está tentando dizer?
Na perspectiva psicanalítica, o sintoma não aparece simplesmente para atrapalhar. Ele pode expressar algo que não encontrou outra forma de ser colocado em palavras. Às vezes, o corpo fala aquilo que a pessoa passou anos tentando silenciar.
A mulher que sempre cuidou de todos pode ter aprendido que suas próprias necessidades deveriam esperar. Aprendeu a ser forte, disponível, responsável. Aprendeu a dizer “eu dou conta”. Até que um dia o corpo responde: “não sei se ainda consigo”.
A ansiedade pode estar relacionada não apenas ao medo do futuro, mas também às perdas, às mudanças e às perguntas que surgem nessa etapa da vida.
Quem sou eu agora?
O que ainda desejo?
O que fiz por mim enquanto cuidava de todos?
O que preciso deixar para trás?
Nem toda ansiedade desaparece quando encontramos respostas. Algumas começam a perder força quando finalmente encontramos espaço para perguntar. A psicanálise oferece justamente esse espaço: um lugar onde a mulher não precisa desempenhar nenhum papel. Não precisa ser a mãe forte, a esposa equilibrada, a profissional competente ou aquela que sempre sabe o que fazer.
Pode simplesmente falar. E, ao falar, talvez descubra que por trás da ansiedade existe uma história pedindo para ser escutada.
O desafio é este: neste dia, antes de perguntar “o que preciso resolver?”, experimente perguntar: “o que dentro de mim está pedindo para ser escutado?”
Talvez essa pergunta seja o começo da sua mudança…
“Ouça a si mesmo. Reescreva a sua história.”
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